domingo, 20 de outubro de 2013

Passei tempo por tempos, passei olhando as páginas, lendo nos outros minha história. Agora é tempo de descobrir-me, passar o frio da letra desconhecida, conhecer-me além das palavras.
Ontem a noite tinha um poema na minha cama, mas hoje quando eu acordei ele tinha sumido! Será que eu engoli o poema? E será por isso meu estômago dói tanto hoje?É... não devia ser um poema tão bom assim pra fazer tão mal, mas ele estava lá, disso eu tenho certeza.
Na invisível profundidade das almas é provável que a vida corra seu curso natural, mas daqui é impossível saber senão a luz esfumaçada dos cigarros.
Hoje eu sou poema, amanhã, quem quiser, me chame pra poesia, que o verso é curto e a vida é muito intensa.
Nos limites do meu muro vi ao longe o relâmpago, cavalgando pela espinha um calafrio conhecido me leva como a uma amante na inconsciência desse mundo. E na tentativa de uma rima fútil, rejeitada antes mesmo de ser concebida, entre um soluço e um colapso, fui de encontro ao chão desacordada e completamente desapercebida.
Pare! Aprecie a poeira por baixo da carne, veja as rimas no silêncio que preenche os momentos vazios...
Como manter morto um defunto que insiste em levantar da cova?
O coração, esse espectro inconveniente vive a tremular inquieto na sua sepultura.