terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Deito meus pensamentos nesta cela azul, meus joelhos tremendo com os gritos do corredor, essas lembranças fazendo minha prisão maior.
Vou deixar essas mãos me encontrarem, fazer do silêncio minha casa, aprendendo com as palavras que me foram roubadas.
Levanto meus olhos para o céu, tenho estrelas nas mãos.
Gasto meus dias com copos e falsas risadas e parece que esta noite meus queridos não poderão me salvar de brindar com as lágrimas.
Sinto o medo dentro de mim e a dúvida que me alcança sempre, então digo a mim mesma que os inimigos vão chegar logo.
Vou deixar a tempestade entrar, pois já não consigo perdoar essa mulher dentro de mim, pois desde que não consigo mais me encontrar em meus pés não há razão para acordar todas as manhãs esperando pelo pior...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sempre essa reduntante, mostra que por vezes amamos e tantas vezes nos amaram, na distância daqueles que não mais se abraçam...a palavra triste adormecida nos lábios...um hoje não se abrirá de palavras doces para confortar essa alma. Triste triste triste, fico assim retomando a lira incompleta.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Antes o sangue a nada,
por vezes sentado a beira do lírico passo perto, adivinho
cavalgo por tardes desnudas, lamento, por oras escrevo
tentando não ouvir as vozes nostálgicas...
Povoam longe esses abutres despertos por qualquer boca que não amanhece.
Deixo que me fale o silêncio...
E há tempos a solidão é narrativa dos meus sonhos
desapercebida dança tranquila sobre os poentes
criando cravos...criando cravos...
sangrando dedos....assim é melhor...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aceito a condição, aprendendo a não ser, andarilho de alma, deserto perplexo de calma e deixo tudo assim. Aceito a adaga, os dentes de cada sorriso, uma vestimenta moderna de sarcasmo. E se não eu quem decida por mim o que virá ainda será assim, se o que sou é tão ruim?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Os pecados da manhã...ah sim é sempre certa a vontade de permanecer nas horas vazias do ponteiro. O indescritível não acordar, nas elevações doces de cada raio de sol, pela preguiça dos lábios, pela leveza dos dedos.
E é cedo quando me anoiteço a cada manhã não acordada e assim fico até que não hajam mais sonhos nem vales, até que os olhos brinquem na tentiva de entender o que a mente já sabe...

domingo, 9 de outubro de 2011

É que nada se pode fazer quando se acostuma com o pouco, quando as mentiras são muito mais verdadeiras que as palavras. Há tempos que me contento com isso, passando pela vida sem muitas expectativas, evitando o choro e provocando tempestades.
Meus olhos de neblina, meu coração uma garoinha fina persistente insistente como aquele mosquito chato a nos incomodar os pensamentos e logo que chega o ponto final me lembro...ah sim...se eu ainda fosse jovem se já não houvessem essas rugas cada uma devidamente batizada talvez soubesse como é não ter que chegar e me ver assim, estrela flamejante esfriando devagar e sem nenhuma esperança de voltar a ser e sem reclamar do que foi e sem falar sobre o que virá...apenas mais uma expectadora dos sonhos que deixei pela estrada e de vários outros que ainda ficarão.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

E de repente isso...a gente consegue o que quer e essa sensação de vazio a vontade de estar completo se olhar no espelho e ver um reflexo embaçado do que já foi e nada daquilo que sonhou em ser.
Pode ser que por vezes seja só essa solidão abraçada nos lençóis da cama ou aquela poeirinha que insiste em se acumular em nós nas manhas nubladas e é tão cansativo perder todas as mãos desse jogo que nunca acaba e até lá vou segurar essa tempestade queimando tudo o que há em mim com meus olhos fechados inventando que todos perdemos fingindo que não tenho vergonha dessas lágrimas.