segunda-feira, 26 de março de 2012

Há que se querer um tanto, ouvir uma infindável sinfonia de batidas do coração, sentir fundo a respiração e calcular bem quanto demora o fechar das pálpebras antes que o sonho desperte para o toque das mãos, antes que os pés se encontrem num carinho sutil e os sorrisos húmidos sejam mais que só alegria.

segunda-feira, 19 de março de 2012

E me disseram: "aquele que deixou raízes no coração não há de morrer nunca"
Eis que morri, sem nenhuma bravura, sem nenhuma folha
pois da nascente do rio eu busquei a água, mas o amor é
rio de pedra sempre seco à quem tem sede.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Deito meus pensamentos nesta cela azul, meus joelhos tremendo com os gritos do corredor, essas lembranças fazendo minha prisão maior.
Vou deixar essas mãos me encontrarem, fazer do silêncio minha casa, aprendendo com as palavras que me foram roubadas.
Levanto meus olhos para o céu, tenho estrelas nas mãos.
Gasto meus dias com copos e falsas risadas e parece que esta noite meus queridos não poderão me salvar de brindar com as lágrimas.
Sinto o medo dentro de mim e a dúvida que me alcança sempre, então digo a mim mesma que os inimigos vão chegar logo.
Vou deixar a tempestade entrar, pois já não consigo perdoar essa mulher dentro de mim, pois desde que não consigo mais me encontrar em meus pés não há razão para acordar todas as manhãs esperando pelo pior...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sempre essa reduntante, mostra que por vezes amamos e tantas vezes nos amaram, na distância daqueles que não mais se abraçam...a palavra triste adormecida nos lábios...um hoje não se abrirá de palavras doces para confortar essa alma. Triste triste triste, fico assim retomando a lira incompleta.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Antes o sangue a nada,
por vezes sentado a beira do lírico passo perto, adivinho
cavalgo por tardes desnudas, lamento, por oras escrevo
tentando não ouvir as vozes nostálgicas...
Povoam longe esses abutres despertos por qualquer boca que não amanhece.
Deixo que me fale o silêncio...
E há tempos a solidão é narrativa dos meus sonhos
desapercebida dança tranquila sobre os poentes
criando cravos...criando cravos...
sangrando dedos....assim é melhor...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aceito a condição, aprendendo a não ser, andarilho de alma, deserto perplexo de calma e deixo tudo assim. Aceito a adaga, os dentes de cada sorriso, uma vestimenta moderna de sarcasmo. E se não eu quem decida por mim o que virá ainda será assim, se o que sou é tão ruim?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Os pecados da manhã...ah sim é sempre certa a vontade de permanecer nas horas vazias do ponteiro. O indescritível não acordar, nas elevações doces de cada raio de sol, pela preguiça dos lábios, pela leveza dos dedos.
E é cedo quando me anoiteço a cada manhã não acordada e assim fico até que não hajam mais sonhos nem vales, até que os olhos brinquem na tentiva de entender o que a mente já sabe...