quarta-feira, 4 de julho de 2012
Cem pés pisam esse deserto
brancos e secos seguem caminhada
carregam a chama dessas velas famintas.
Coração é terra sem lei.
O pé que pisoteia cego na areia batida
é o mesmo que se cala à esperança.
Chora pois, nesse rio salgado
Bebe a sede dessa chama
que leva em brasa cada viajante
e deixe que as velas se apaguem no horizonte.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Incontestável, algo ainda vive em meio a sujeira.
Um bicho encurralado e pálido
faminto dessas coisas, dessa ousadia
conversa comigo, suspira, pausa, lentamente...
Vomitando partes de mim
deixando rastros pelo quarto
a nicotina e as cortinas
em desespero pela mão trêmula
ou pela violência da pancada eminente.
_Quieto, não assovie mais nos meus ouvidos!!! eu grito
Ele cala, mas pulsa, constatemente nos meus pesadelos mais
íntimos.
_Para, faz favor... eu suplico
E ele ri, compassadamente com meu devaneio...
Por baixo da cama, nos travesseiros, no cheiro que fica na
pele
atravessando o mapa do meu corpo pelas noites insones!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Uma vontade passageira guarda nos olhos a inércia do sono, tantos outros eus vagam por esses mundos imprecisos, brincando de pensar para dentro o que vem de fora!
Ontem ou agora, a dança rompante de ontem tão aqui comigo e agora lá fora, longe do romance, nos sonhos que talvez sejam só a alucinação dos sonhos dessa mesma mulher.
Sou duas e muitas outras, todas na distância das manhãs.
Ontem ou agora, a dança rompante de ontem tão aqui comigo e agora lá fora, longe do romance, nos sonhos que talvez sejam só a alucinação dos sonhos dessa mesma mulher.
Sou duas e muitas outras, todas na distância das manhãs.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Há que se querer um tanto, ouvir uma infindável sinfonia de batidas do coração, sentir fundo a respiração e calcular bem quanto demora o fechar das pálpebras antes que o sonho desperte para o toque das mãos, antes que os pés se encontrem num carinho sutil e os sorrisos húmidos sejam mais que só alegria.
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